Recuperação da documentação histórica de Noronha

Atualmente, boa parte da História de Noronha encontra-se dentro de uma pilha de sacos plásticos empilhados num canto do anexo do Arquivo Público Estadual, na Rua Imperial, bairro de São José, área central do Recife; esses sacos contem diversos documentos históricos e administrativos do Governo de Noronha, que foram acumulados por décadas.

Um projeto público financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pretende remediar a situação; todo o acervo passará por um processo de restauração, que compreenderá a higienização, classificação, catalogação e acondicionamento das obras.

O BNDES, que regularmente financia obras de restauração do patrimônio histórico, cultural e artístico do Brasil, destinará esse ano o montante de R$ 8 milhões para recuperação de acervos documentais, abrangendo 26 projetos (diversos outros acervos de Pernambuco, Paraíba e Ceará também estão incluídos no catálogo do Banco).

O acervo de Noronha abrange 50 mil documentos que contam toda a história da ilha, incluindo o período em que o arquipélago abrigava um presídio que recebia detentos comuns e presos políticos. Pessoas importantes passaram por lá, como o líder comunista Gregório Bezerra  e o ex-governador Miguel Arraes.

O trabalho de resgate começou em 2000, quando já se constatava que a memória da ilha estava se perdendo; a documentação ficava guardada numa sala na Vila dos Trinta, bairro de Noronha, em condições precaríssimas. “Percebemos o problema quando foi preciso localizar a documentação de funcionários que estavam se aposentando, e não encontramos os registros; muita coisa se perdeu”, explica Sandra Veríssimo, coordenadora do projeto.

Um convênio foi firmado com o Arquivo Público Estadual e, em 2005, o material começou a ser trazido de avião e de barco para o prédio da Rua Imperial; Muita coisa já foi desembrulhada e organizada pelos pesquisadores.

Com recursos do BNDES, executou-se a primeira etapa do projeto, em 2006, quando uma parte da documentação foi higienizada e organizada em pastas. O prédio ganhou uma sala climatizada para guardar o acervo catalogado.

Agora, o desafio é cataloga o restante dos documentos. “Nesse estágio, a prioridade não é restaurar, nem digitalizar. Vamos classificar e dar uma organização para que, depois, esse material possa ser devidamente estudado”, diz Sandra. Serão contratados profissionais de várias áreas, como historiadores e arquivistas, para realizar o trabalho.

Além dos registros dos presídios político e comum, o material reúne informações do período em que a ilha foi administrada pelo Exército, depois pela Aeronáutica, seguido pelo Estado Maior das Forças Armadas, Ministério do Interior e, finalmente, a partir de 1988, pelo governo de Pernambuco.

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